Belo Horizonte , Quinta-feira, 9 de Setembro de 2010
 
 
 
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A Casa do Turismo - BHC&VB











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A ABIH MG divulga os resultados da hotelaria de Belo Horizonte e analisa o sucesso do ano de 2008. E o que podemos esperar em 2009? Leia mais... (9/1/2009)

Até setembro de 2007 a taxa de ocupação e a diária média dos hotéis de BH era solicitada pela ABIH MG, por telefone, para 8 a 10 estabelecimentos padrão luxo e turístico superior, uma vez por mês, o que fornecia apenas uma estimativa do comportamento da hotelaria da cidade.
A partir de 01/10/2007, com a implantação do programa de software "Cesta Competitiva", a ABIH MG passou a ter, diariamente, a taxa de ocupação, a diária média e o RevPar* de um grupo constante de 40 hotéis, bem distribuídos entre luxo, superior, turístico e econômico - que fornecem uma amostragem bem real da situação, não só da hotelaria, mas do desenvolvimento do turismo no estado, uma vez que a capital é a porta de entrada aérea do estado e seu principal centro dos negócios.
Historicamente é sabido que o turismo acompanha a curva de crescimento do PIB. No caso de Minas, entre set/2007 e set/2008, enquanto o PIB cresceu 9,6%**, quanto cresceu o turismo? Se tiver acompanhado o PIB já é sinal que a economia do turismo vai muito bem, valeram os investimentos governamentais e os esforços da Secretaria de Turismo - Setur, da Belotur, do BHC&VB e do trade turístico, representado por 45 membros (28 entidades e 15 orgãos públicos) no Conselho Estadual de Turismo.

Veremos o que dizem os números da hotelaria.
Em 2005 fechamos o ano com uma taxa de ocupação de 57,35% e em 2006 com 59,34%. Em 2007 a ocupação dos hotéis pulou para 64,06% e terminamos o ano de 2008 com 68,41%. De 2007 para 2008 o aumento da TO foi de 6,79%.
Quanto à diária média, passamos de R$114, 29 em 2005 para R$132,88 em 2006; em 2007 fechamos com R$147,09 e em 2008 pulamos para R$169,72. De 2007 para 2008 o aumento da DM foi de 14,70%.
Comparando 2005 com 2008, tivemos um aumento de ocupação dos hotéis de BH de 19,30% e um aumento da diária média de 47,63%. O Revpar entre 2005 e 2008 aumentou 76,11%, sendo que de 2007 para 2008 cresceu 22,5%. Lembre-se que estes dados, obtidos diariamente pelo software "Cesta Competitiva", se referem a 40 hotéis, entre independentes e de rede e considera somente o faturamento de hospedagem ( diárias); não considera outros ganhos com A&B, eventos e outros.
Há de se lembrar que entre 2001 e 2005 sofremos os anos negros da hotelaria mineira, causados pela construção desenfreada de apart-hotéis e a consequente chegada das redes internacionais para administrá-los - com a oferta muito maior que a demanda, caíram a ocupação, o valor da diária e a rentabilidade. Alguns hotéis fecharam, os sobreviventes resistiram a duras penas. O que conseguimos entre 2005 e 2008 foi recuperar o prejuízo dos anos anteriores e colocar BH novamente no lugar devido, no ranking hoteleiro, entre as capitais brasileiras.

Sem dúvida, tem sido uma belíssima performance o que a hotelaria belo-horizontina tem conseguido. Cabe agora analisar o porquê.
Em primeiro lugar o PIB do estado aumentou, a economia cresceu, sobretudo no setor de mineração, siderurgia, energia, comunicações e saúde, com a conseqüente movimentação financeira - bancos e corretoras de valores. A indústria, o comércio e o terceiro setor - da prestação de serviços - têm realizado um crescente número de feiras e congressos na cidade e movimentado os hotéis com treinamentos e reuniões.
De fundamental importância têm sido os investimentos em infra-estrutura solicitados pelo trade turístico já há tempos e finalmente atendidos, em parte por enquanto, pelo governo Aécio Neves: a consolidação do Aeroporto Internacional Tancredo Neves em um importante eixo da malha aérea nacional, a construção da Linha Verde, que liga o aeroporto ao centro da cidade em meia hora de tráfego seguro e a entrega da primeira parte do Expominas, hoje o melhor centro para feiras do Brasil.
Investimentos constantes têm sido realizados na esfera governamental, pela Setur e pela Belotur, na divulgação do estado e da capital mineira como destino turístico e pelo empresariado, via BHC&VB, na captação de eventos, o que tem levado a cidade a sediar um grande número de feiras e congressos.

A preferência por Belo Horizonte se deve ao fato da cidade ser uma das capitais mais seguras do país e bem servida no quesito transporte: o transito ainda flui com rapidez - por exemplo, do centro, da Savassi ou do bairro de Lourdes, onde se concentram os hotéis, até o Expominas, não se leva mais que 30 minutos nas horas de pico. O serviço de táxi é excelente, há ligação direta de metrô desde o centro ( estação da Rodoviária) até dentro do Expominas, através de um "finger", proporcionando rapidez e total segurança.
A hotelaria é nova e bem qualificada, a grande maioria dos estabelecimentos tem menos de 10 anos; programas como o Capacitur, parceria da Belotur com a ABIH MG, está treinando 7000 pessoas, que lidam diretamente com o turista, na arte de bem-receber.
O maior mérito da "Cesta Competitiva" não foi aumentar o faturamento dos hotéis em 22,5% ( média da cidade) em 2008. Decisivo para o sucesso dos resultados obtidos tem sido a forma como a hotelaria trabalha unida, no sentido de captação e logística de distribuição de clientes - tanto que a ocupação é bastante homogênea, não importando categoria e localização, se são hotéis ou aparts, se independentes ou administrados por redes.

Na primeira semana de janeiro a ocupação média da cidade beira 45%, dentro do padrão dos últimos anos. Eventos continuam acontecendo nos hotéis e mal começamos a receber os turistas esperados para o festival "BH espera por você", que vai de hoje, 6 de janeiro, até o Carnaval.

Até o final de 2009 terminam as obras do novo Centro Administrativo do governo estadual, situado na Linha Verde, entre o Aeroporto Internacional e o centro da cidade; uma nova extensão do metrô vai ligá-lo à estação do centro e, consequentemente, ao Expominas. Sai também a parte final da duplicação da Av. Antonio Carlos, um dos acessos à Linha Verde. Outra antiga solicitação do trade turístico - a construção do novo Centro de Convenções, na Av. Cristiano Machado, no outro acesso à Linha Verde - deve ser iniciada ainda neste semestre e é o principal projeto de incentivo ao turismo da administração do novo prefeito, Márcio Lacerda.

Com a já palpável retração da economia que, no caso de Minas Gerais, se fará sentir fortemente no setor metalúrgico, espera-se uma queda de até 20% na ocupação dos hotéis em 2009. Com isto, fica sem data prevista a abertura de novos hotéis na cidade; provavelmente isto só ocorrerá em 2011/12. Se novos hotéis fossem abertos em 2009/10 certamente voltaríamos ao ciclo de baixa ocupação/ queda do valor da diária, fechamento e deterioração do parque hoteleiro.

Belo Horizonte é uma cidade voltada para o trabalho, em tempos de crise, diverte-se menos e trabalha-se mais, há maior necessidade de promoção, é preciso estimular as vendas. Se nossas empresas podem não estar a todo o vapor em 2009, é hora de aproveitar a baixa temporada para treinar nosso pessoal para o futuro. A velha história do lenhador que no final de um dia de trabalho produz mais porque pára a fim de descansar - e enquanto descansa afia o machado - deve ser bem lembrada em 2009 .

* RevPar= taxa de ocupação x diária média, ou seja, o faturamento obtido por apartamento existente.
** crescimento do PIB de MG em 9,6% - dado fornecido pelo governador Aécio Neves, em discurso no dia 24/09/2008.

Este artigo foi escrito por Silvania Capanema, presidente da ABIH MG e diretora do BHC&VB.

Belo Horizonte, 6 de janeiro de 2009






 


 
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